Ao venerável irmão, o Arcebispo de Turim.
Ao venerável irmão, saúde e Bênção Apostólica.
Em razão de teu exímio espírito religioso e do respeito que deves guardar pela disciplina canônica, não duvidamos, venerável irmão, de que tu, justamente estimado pelo cuidado pastoral que, durante longo tempo, dedicaste louvavelmente ao rebanho que te foi confiado, receberás com não pouca amargura aquilo que Nós, por meio de outra carta — enviada em forma de Breve a todos os Bispos do orbe católico, escrita neste mesmo dia, impressa e que te será entregue juntamente com esta —, te comunicamos não sem grande tristeza.
Embora estivéssemos informados de que o detestável comércio que tanto condenamos, relacionado à celebração das Missas, estivesse em vigor também em outros lugares, não sabíamos, contudo, que fosse de tal natureza nem que fosse exercido com tão grande avidez de torpe lucro, como recentemente fomos informados ocorrer entre alguns eclesiásticos piemonteses e pessoas leigas.
Procuramos, portanto, aplicar um remédio salutar contra tão sórdido negócio, a fim de apagar pela raiz semelhante mancha de infâmia das Dioceses do Piemonte.
Nós, na verdade, para não darmos a impressão de diminuir a opinião que todos possuem acerca do decoro da disciplina eclesiástica e da observância vigente nas Dioceses do Piemonte, e para satisfazermos devidamente os deveres de Nossa solicitude apostólica, decidimos escrever acerca dessa matéria.
1. A extinção do comércio ligado às Missas
Portanto, se disso podes facilmente deduzir, venerável irmão, o testemunho particular de caridade que nutrimos por cada um dos Bispos do Piemonte, é necessário que te empenhes grandemente para que, tanto em razão da gravidade da situação quanto por causa de Nossa intervenção, empregues todos os esforços, de modo que possamos felicitar-te pela completa extinção do contágio desse comércio.
2. O recurso ao braço secular
Se, porém, a obstinação dos maus for tão resistente que eles não se preocupem de modo algum com as penas cominadas pelas mesmas Nossas Letras, e se houver necessidade de recorrer ao auxílio do braço secular para extirpar esse mal, não deixes de fazê-lo intervir, certo de que ele te estará ao lado com maior disposição do que imaginas.
3. O auxílio do Rei da Sardenha
Com efeito, tão grande é, e tantas vezes demonstrado pelos próprios fatos, o respeito para conosco e para com esta Sé Apostólica por parte de Nosso caríssimo filho em Cristo, Carlos Emanuel, ilustre Rei da Sardenha, que diariamente esperamos maiores e seguras manifestações de sua régia deferência e de seu zelo — não somente para conosco, mas também para com tua fraternidade — em tudo quanto se refere à disciplina eclesiástica, bem como de seu patrocínio em Nosso favor.
Entretanto, concedemos com grande benevolência a Bênção Apostólica à tua fraternidade.
Dado em Roma, junto de Santa Maria Maior, sob o Anel do Pescador, no dia 30 de junho de 1741, primeiro ano de Nosso Pontificado.