Os princípios editoriais do Viva Cristo Rei não procedem das tendências do mercado jornalístico, das conveniências partidárias ou das opiniões dominantes em cada época.

Nossa orientação nasce da doutrina católica e do Magistério perene da Igreja, especialmente de três grandes encíclicas que oferecem os fundamentos filosóficos, religiosos e educacionais de nosso trabalho:

  • a Pascendi Dominici Gregis, de São Pio X, no combate filosófico e doutrinal ao modernismo;
  • a Quas Primas, de Pio XI, na afirmação do Reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre os indivíduos e as sociedades;
  • a Divini Illius Magistri, também de Pio XI, na defesa da educação integralmente cristã.

Esses três documentos não constituem referências meramente históricas. Eles oferecem critérios permanentes para compreender a crise da inteligência moderna, a apostasia das sociedades e a desordem educacional de nosso tempo.

I. A verdade contra o modernismo

À luz da Pascendi Dominici Gregis

No âmbito filosófico e doutrinal, o Viva Cristo Rei toma como referência fundamental a encíclica Pascendi Dominici Gregis, promulgada por São Pio X em 8 de setembro de 1907.

O modernismo não é apenas uma opinião equivocada sobre algum ponto secundário da doutrina. É um sistema filosófico, teológico, histórico e crítico que altera os próprios fundamentos pelos quais a verdade religiosa é conhecida e transmitida.

São Pio X identifica no agnosticismo o fundamento da filosofia religiosa modernista. Segundo esse princípio, a razão humana estaria limitada aos fenômenos sensíveis e seria incapaz de elevar-se com certeza ao conhecimento de Deus. A religião deixaria, então, de ser resposta a uma Revelação objetiva para tornar-se produto de uma necessidade interior, de um sentimento ou de uma experiência individual.

A verdade religiosa passa, assim, a ser subordinada à consciência subjetiva. Os dogmas já não seriam expressões verdadeiras e permanentes daquilo que Deus revelou, mas fórmulas provisórias, destinadas a mudar conforme as transformações da experiência religiosa e da consciência humana.

É por isso que São Pio X não apresenta o modernismo como um conjunto acidental de erros desconexos, mas como um corpo doutrinal uno e compacto, no qual a admissão de um princípio conduz aos demais. O pontífice chega a defini-lo como a "síntese de todas as heresias".

O Viva Cristo Rei reconhece, nessa doutrina, os fundamentos intelectuais daquilo que denominamos seita modernista: não necessariamente uma associação formal ou publicamente constituída, mas a atuação persistente e articulada de homens, correntes e instituições que procuram adaptar a Fé Católica aos princípios da filosofia moderna, subordinando a Revelação à consciência, o dogma à experiência, a Tradição à evolução histórica e a Igreja às exigências do mundo.

O que afirmamos

Contra o agnosticismo, o subjetivismo e a imanência modernista, afirmamos:

  • que a verdade existe independentemente da vontade, do sentimento ou da opinião humana;
  • que a inteligência é capaz de conhecer a realidade;
  • que Deus pode ser conhecido pela razão natural a partir das coisas criadas;
  • que a Revelação divina possui caráter objetivo e sobrenatural;
  • que a Fé não nasce de um sentimento religioso produzido pela consciência;
  • que os dogmas exprimem verdades reveladas e não simples experiências coletivas;
  • que o desenvolvimento legítimo da doutrina não pode contradizer aquilo que a Igreja anteriormente ensinou;
  • que a história da Igreja não pode ser interpretada por métodos que excluam previamente o sobrenatural.

Não confundimos tradição com imobilidade, nem desenvolvimento com corrupção. Uma doutrina pode desenvolver-se quanto à explicitação, à precisão terminológica e à compreensão de suas consequências. Não pode, porém, transformar-se em seu contrário sem que se destrua o próprio conceito de verdade.

Consequências para nosso trabalho editorial

Nosso combate ao modernismo dirige-se primeiramente aos princípios, aos sistemas e às doutrinas. Não buscamos substituir a análise séria por acusações pessoais, nem empregar o nome de modernista como simples instrumento de hostilidade.

Por isso, procuramos:

  • identificar as raízes filosóficas das ideias;
  • distinguir os erros doutrinais das simples imprecisões de linguagem;
  • confrontar as novidades com o Magistério anterior;
  • examinar os textos em seu contexto histórico;
  • recorrer às fontes originais sempre que possível;
  • mostrar as consequências religiosas, morais e sociais de cada princípio;
  • evitar que a linguagem da modernidade seja empregada para ocultar mudanças substanciais na doutrina.
Não aceitamos que a verdade católica seja julgada pelo tribunal da consciência moderna. É a consciência humana que deve ser formada e corrigida pela verdade.

II. Para que Cristo reine

À luz da Quas Primas

No âmbito religioso e social, o Viva Cristo Rei orienta-se pela encíclica Quas Primas, promulgada por Pio XI em 11 de dezembro de 1925.

A realeza de Nosso Senhor Jesus Cristo não constitui uma metáfora piedosa, limitada ao interior das igrejas ou à devoção particular dos fiéis. Cristo é verdadeiro Rei. Seu poder procede de sua própria natureza divina, de sua união hipostática e da obra da Redenção. Sua autoridade estende-se a todos os homens e a todas as sociedades.

Pio XI ensina que os males que afligem os povos têm sua origem no afastamento de Jesus Cristo e de sua lei, tanto na vida dos indivíduos e das famílias quanto no governo dos Estados. A paz verdadeira não poderá ser restaurada enquanto os homens e as nações recusarem o império do Salvador. Por isso, o pontífice proclama a necessidade de buscar "a paz de Cristo no Reino de Cristo".

Um reinado pessoal e social

Cristo deve reinar: nas inteligências, pela verdade; nas vontades, pela obediência à sua lei; nos corações, pela caridade; nas famílias, pela ordem cristã; na educação, pela formação das almas; na cultura, pela submissão do belo, do verdadeiro e do bom a Deus; nas leis, pelo respeito à lei natural e divina; nas instituições, pelo reconhecimento dos direitos de Deus; nas nações, pela conformidade da vida pública com a justiça cristã.

A soberania de Cristo não se limita à vida privada. Os homens não deixam de estar sujeitos a Deus quando se reúnem em famílias, escolas, associações, empresas, tribunais, parlamentos ou governos. Por isso, rejeitamos o laicismo que pretende expulsar Deus da vida pública, reduzir a religião à consciência individual e organizar a sociedade como se Nosso Senhor Jesus Cristo não existisse.

Nossa posição diante da vida pública

O Viva Cristo Rei não é órgão de partido político nem instrumento de campanhas eleitorais. Entretanto, nossa independência partidária não significa neutralidade entre o Reinado de Cristo e a apostasia social, entre a lei natural e sua negação, entre a verdade e o erro.

Analisamos os acontecimentos públicos segundo princípios superiores às disputas eleitorais: a lei natural; o bem comum; a justiça; a autoridade legítima; os direitos da Igreja; os direitos naturais da família; a dignidade da pessoa humana criada por Deus; a soberania social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não consideramos suficiente que um projeto seja chamado de conservador, tradicional, patriótico ou religioso. É necessário examinar seus princípios, seus fins e suas consequências. Também não identificamos o Reinado Social de Cristo com um partido, uma personalidade política ou uma determinada forma histórica de governo.

Nosso trabalho editorial deseja contribuir para que Cristo volte a ser reconhecido nas almas, nas famílias, na educação, na cultura e na sociedade. É preciso que Ele reine.

III. A educação deve ser católica

À luz da Divini Illius Magistri

No âmbito educacional, o Viva Cristo Rei toma como fundamento a encíclica Divini Illius Magistri, promulgada por Pio XI em 31 de dezembro de 1929.

A educação não consiste apenas na transmissão de informações, no treinamento de habilidades ou na preparação para o exercício de uma profissão. Educar é formar o homem inteiro: sua inteligência, sua vontade, seus afetos, seus hábitos, seu caráter, sua vida moral, sua relação com a família, com a sociedade e, sobretudo, com Deus.

Toda educação pressupõe uma concepção do homem, uma definição do bem e uma compreensão de seu destino. Por isso, não existe educação verdadeiramente neutra. Uma escola que não conduz o aluno a Deus não permanece em uma posição intermediária. Ela transmite, ainda que silenciosamente, a ideia de que Deus é dispensável para a compreensão do homem, da verdade e da vida.

Somente a educação católica forma integralmente

Quando afirmamos que somente existe verdadeira educação quando ela é católica, não negamos que pessoas ou instituições não católicas possam transmitir conhecimentos, técnicas, artes ou habilidades úteis. Afirmamos que nenhuma instrução pode ser chamada de educação integral se ignora o fim último do homem.

Pode haver instrução científica sem Fé. Pode haver preparação profissional sem Fé. Pode haver treinamento técnico sem Fé. Mas a formação completa do homem — considerado em sua natureza, em sua condição decaída, em sua elevação pela graça e em seu destino eterno — somente pode realizar-se plenamente em Cristo.

Família, Igreja e sociedade civil

A Divini Illius Magistri ensina que a educação pertence, em proporções e ordens distintas, a três sociedades necessárias: à família, à Igreja e à sociedade civil.

A família possui prioridade natural na educação dos filhos. Os pais não recebem do Estado o direito de educar; recebem-no de Deus, juntamente com a missão de gerar e formar a prole. À sociedade civil corresponde auxiliar, proteger e completar a ação da família e da Igreja em ordem ao bem comum temporal. Não lhe pertence, porém, estabelecer um monopólio educacional ou impor uma formação contrária à consciência cristã.

A missão formativa do jornal

O Viva Cristo Rei não pretende substituir a família, a escola ou o magistério da Igreja. Nosso papel é auxiliar o leitor, oferecendo conteúdos que contribuam para formar critérios, preservar a memória católica, conhecer os documentos da Igreja, compreender a história, reconhecer os erros filosóficos, fortalecer a vida familiar, educar a inteligência, ordenar o amor à verdade, cultivar as virtudes e restaurar a cultura cristã.

Não escrevemos apenas para transmitir notícias. Escrevemos para formar. Não escrevemos apenas para denunciar os erros modernos. Escrevemos para apresentar a verdade que esses erros procuram obscurecer.

Aplicação de nossos princípios

Dos três fundamentos apresentados decorrem as normas que orientam o trabalho editorial do Viva Cristo Rei.

Fidelidade às fontes

Damos prioridade à Sagrada Escritura, à Tradição Apostólica, ao Magistério perene, aos concílios e documentos pontifícios, aos Padres e Doutores da Igreja, aos catecismos, aos santos, aos autores católicos reconhecidos por sua fidelidade doutrinal e aos documentos históricos originais. Autores de outras correntes podem ser estudados como fontes, testemunhas ou adversários intelectuais, mas não como autoridades para determinar o sentido da doutrina católica.

Primazia da verdade

Não alteramos nossas conclusões para agradar ao público, acompanhar tendências ou evitar o desagrado daqueles que rejeitam a doutrina da Igreja. A caridade exige respeito pelas pessoas, mas não exige silêncio diante do erro. Procuramos praticar firmeza sem temeridade, clareza sem vulgaridade, caridade sem sentimentalismo, prudência sem covardia, justiça sem falsa neutralidade.

Distinção entre fato e interpretação

Procuramos distinguir claramente os fatos comprovados, os documentos, os testemunhos, as interpretações históricas, as opiniões prudenciais, os juízos doutrinais e as hipóteses ainda não demonstradas. Uma acusação grave exige provas proporcionais à sua gravidade. A defesa da Fé não autoriza a calúnia, a difamação, a manipulação documental ou a maledicência.

Continuidade doutrinal

As novidades religiosas devem ser examinadas à luz daquilo que a Igreja sempre ensinou. O novo não interpreta o antigo de maneira soberana. Deve ser compreendido em continuidade com a doutrina recebida. Quando houver aparente oposição entre um ensinamento recente e o Magistério anterior, procuraremos examinar o texto original, considerar seu grau de autoridade, estudar seu contexto, verificar as interpretações possíveis e compará-lo com os ensinamentos precedentes.

Formação acima da agitação

Não desejamos alimentar uma sucessão interminável de escândalos, polêmicas e indignações. Os acontecimentos do dia devem ser utilizados para revelar princípios mais profundos. Uma notícia passa. Uma formação sólida permanece. Por isso, nosso objetivo não é manter o leitor em constante estado de inquietação, mas ajudá-lo a compreender, discernir, julgar e agir segundo a verdade.

Nosso compromisso

À luz da Pascendi Dominici Gregis, combatemos o modernismo e suas raízes filosóficas.
À luz da Quas Primas, trabalhamos para que Cristo reine nas almas, nas famílias e na sociedade.
À luz da Divini Illius Magistri, afirmamos que toda educação verdadeiramente integral deve ser católica.

Esses são os princípios que orientam nossa pesquisa, nossas traduções, nossas análises, nossas biografias, nossos estudos históricos e nossas publicações.

Não queremos adaptar a Fé ao espírito do mundo. Queremos ajudar o homem a conformar sua inteligência, sua vontade e sua vida à verdade revelada por Deus.

Não desejamos uma religião aprisionada nos templos. Desejamos que Cristo reine.

Não desejamos uma instrução sem finalidade sobrenatural. Desejamos uma educação que forme o homem inteiro para a vida presente e para a eternidade.

Em tudo o que publicamos, procuramos servir a uma mesma causa:

A restauração de todas as coisas em Cristo.